terça-feira, 12 de dezembro de 2017

. quando cê disse que vinha .

comecei a escrever porque cê disse que vinha.
fiz um livro inteiro com as histórias que não te contei. mas que vivi, enquanto te esperava chegar.
achei engraçada a forma como as palavras se dispunham milimetricamente, pra contar pro papel sobre toda a fantasia que criei pra te manter por perto. num desatino que, por vezes, chegou até a parecer amor. 
fui tecendo as minhas páginas com todo esse quase que cê sempre trazia em cada mão.
nunca aprendi a fazer rima, porque o tempo entre seus olhos e os meus, calhou de ser breve demais. e porque tive medo também... principalmente de descobrir que coração, ilusão e nós em par, poderiam muito bem morar, ao mesmo tempo, no mesmo verso. e isso, mais que a saudade, me entristeceria por toda a vida.
também não me separo dos dramas. como cê tanto diz, eles estão calejados no meu peito, cansado de tanto insistir. também pudera! tanta beira de abismo em flor, como é que fui calhar de me jogar no seu silêncio?
o que me preocupa - devo lhe dizer - nem muito é essa sua ausência, insistida em me procurar. 
mas é que eu continuei a escrever porque cê não veio. 
e, nesse tanto que me lancei à sorte - da nossa própria solidão -, aprendi a conjugar todos os verbos no infinitivo e sem plural, nuns instantes de vazio, armaduras e tanto ar. 
desaprendi muita coisa enquanto te esperava. 
e, talvez, isso é que diga muito sobre as partes em branco que o tempo me ensinou a te escrever...